Blog dos Abraços

Algumas histórias que se abraçam.


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Primeiras impressões de Ouro Preto


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Livros me esperam espalhados pelos cômodos da casa.

Sensações explodem pelos poros ainda ávidos.

Ideias pairam nesta mente pouco organizada.

Palavras brincam e se escondem pelos porões do inconsciente.

Leio e releio as anotações feitas no Centro de Convenções da UFOP durante o Fórum das Letras 3ª edição: Escritas Híbridas. De acordo com a receita, bati os ingredientes, mas abusei na dose. Saí hipnotizada.

Não saberia descrever com precisão os momentos de prazer passados em Ouro Preto, cidade tanto tempo esperada, imaginada. Vi sua paisagem natural, a construída com o suor do povo sedento do ouro negro e explorado pela nobreza  e a reformada pelo abastado.

Admirei a arte barroca e orei em todas as igrejas visitadas. Assisti à missa distraidamente encostada no túmulo deAntônio Francisco Lisboa, o genial Aleijadinho.

Dormi ouvindo o pio da coruja e o toque dos sineiros de finados. Acordei com o som do apito da Maria-Fumaça indo e vindo de Mariana.

Chorei diante dos restos mortais, recolhidos no exílio, dos inconfidentes e, principalmente, da madeira da forca de Tiradentes, do vazio do túmulo.

Vinguei-me ao observar onde os negros escondiam ouro nas minas para construírem suas igrejas e defenderem seus interesses. Ah, Chico Rei! Negro bom e valente. Monarca na África, escravo no Brasil, comprou sua liberdade e a de seus súditos.