Viagens

Ouro Preto

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    Ouro Preto, tanto tempo esperando para finalmente mergulhar na sua história, religiosidade, arte, cultura, literatura, natureza.
    Sonhava com Vila Rica desde menina. Jovem, desisti por conta dessas visões que impedem a partida e sopram no ouvido para ficar.
    Dessa vez, a vontade superou o medo e as saudades que iria sentir.
  Ainda estou flutuando diante das imagens e experiências vividas.
    Sei que ainda vou voltar .
Novela

Santa e Rainha

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Capítulo 1      

       Maria Isabel não tinha livros, apenas aquela bíblia preta de seu pai que ninguém ousava abrir. A banca de jornal era o objeto mais cobiçado. Os gibis eram baratos e, mesmo antes de aprender a ler, já se encantava com as imagens. Sentada no banco do bonde,  cruzava suas perninhas de garça e nem observava o trajeto cheirando à maresia; a viagem era outra. Ouvia histórias, antes de dormir, contadas pela sua mãe, cansada da máquina de costura. Eram histórias da meninice de Dona Custódia, do tempo em que morava numa cidadezinha à beira do grande rio, ou mesmo contos de fadas. Chega, menina, vamos dormir. E Bel antevia os banhos, as ilhas, a cantoria das lavadeiras, as procissões, as festas, o mergulho dos meninos, o ir e vir das canoas. Dormia e sonhava com o dia em que seria a rainha, porque princesa já era nas brincadeiras da escadaria do castelo do outro lado da rua. 

      O pai, sempre em silêncio, consumia-se na fumaça do cigarro, mas jogava conversa fora com os vizinhos nos finais de semana. Levou muito bolo nas mãos quando espalhou pela escola que Seu Zeca estava preso ao estourar a revolução. Não era mais o local de trabalho do papai.  Ele não fez nada, dizia. Acompanhou a mãe naquela sala enorme para falar com o todo poderoso. Na semana seguinte estava solto.  Passara um mês lá, o  suficiente para dobrar a quantidade de calmantes, imitar o zunzum  das moscas,  contar dos artistas em celas vizinhas. Não voltou mais.  Sentia-se perseguido e refugiou-se nos sonhos de terras, cavalos, vacas.   Sumia e algumas vezes voltava feliz, em outras, derrotado. A areia espalhara-se  e o lucro fora levado pela chuva. Na manhã em que se foi, escutaram o barulho de seus tamancos  a caminho do armazém. Lia pela segunda vez um livro emprestado, Teresa Batista Cansada de Guerra. Despedia-se esgotado da batalha pessoal.

 

Poesia

Ursos

 abrac009

Quem dera que todos

pudessem celebrar a vida.

Que os sábios e os tolos

tivessem a coragem

de entregar-se

à força de um abraço.

 

Reflexões

O Livro dos Abraços

o livro dos abraços
Pequenas histórias que se abraçam.  
Eduardo Galeano vai traçando a vida através da memória
pessoal e da memória coletiva da América Latina.
Assim é o Livro dos Abraços.
Assim será o Blog dos Abraços.
Memórias

Contando histórias

     Nossa vida muda num estalo.
    Não basta querer. É preciso ter atitude e  isto eu tenho de sobra.
    O domínio, a Deus pertence.
    Quando   participava do Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, tudo   acon-
teceu!
    Conheci e ouvi a escritora Regina Machado dizer “Quem disse que você não é uma conta-
dora de histórias” . Fiquei iluminada. E ainda, “Essa história   que  você
me contou cabe num livro”.
    Quem sabe está na hora!
Cotidiano

Abraços

Sempre recebe com um abraço.
Tem paciência para escutar e conta histórias como ninguém.
São recordações da infância em sua terra natal.
Chamam-na de Menininha.
Já passou dos oitenta.
Há marcas de sofrimento e de luta.
Olhos desconfiados e ternos.
Grande mulher!
Como quase todas daquela família,
são fortes, decididas e dominadoras,
 mas fraquejam diante da dor e do amor.
Avante, mulher guerreira!