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Férias

 P7160045  Pôr-do-sol no Rio São Francisco

“A escrita deve ter nascido da necessidade de não esquecer.”

Luis Fernando Veríssimo

Anotações esparsas em pedaços de papel quando disponíveis. O resultado não poderia ser outro: esquecimento.

Guimarães Rosa registrava a linguagem do povo em suas andanças. Levava lápis e caderno. Na maioria das vezes, eu nem levava a digital, quando estava com o celular, ainda tirava umas fotos. Estava lá para rever a família e as paisagens desde menina conhecidas. Muitas histórias para contar olho no olho, outras muito pessoais e há ainda as impublicáveis. A cada dia me convenço de que não nasci para escritora, sou mesmo uma contadora de histórias, preservo a tradição.

Este pôr-do-sol no Rio São Francisco foi uma das mais belas imagens clicadas. Não tomei banho em suas águas, no entanto, todos os dias, ia para a beira do rio olhar aquela imensidão, observar os pescadores, as lavadeiras, o mergulho das crianças, recordar o tempo em que levava até sabonete e me assustava com o burro que se refrescava acompanhado do dono que enchia as latas para abastecer os casebres. Ah, o Velho Chico não pode acabar!

A luz se arrasta para a escuridão.

A claridade retorna e traz consigo aquela beleza de cores, formas, sons e cheiros.

A calmaria recuperou minha energia e a esperança de dias pacíficos.

O rio é dela, da minha mãe alagoana.

O rio é de todas as mulheres desta terra farta e abençoada.

O rio é do nordestino que, embora sem muitas condições de superar a miséria, tem amor às suas raízes e se mantém na terra, com uma fé só compreendida por quem convive com este povo forte do interior.

Certamente, preciso voltar muitas vezes para desvelar histórias que ficaram adormecidas na memória coletiva.

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Impressões de Ouro Preto

OLYMPUS DIGITAL CAMERA    Da janela, via Santa Efigênia poderosa e pensava que precisava ir lá. Foi, exatamente, no caminho que conheci a Mina Fonte Meu Bem Querer. Pude ver e tocar nos veios de ouro que enriqueceram a nobreza e exploraram o povo. Velha história, agora experimentada com todos os sentidos.

       Ouro Preto… Cheirei sua terra molhada, andei pelo seu pé de moleque, provei o seu tempero, suei nas subidas e refresquei-me nas descidas.

       Procurei Marília de Dirceu do Mirante e da Ponte Antônio Dias. A magia esvaneceu-se porque queria suspirar no chafariz seco! Mas quando cheguei ao Largo de Marília, diante de sua casa, senti-me traída por Tomás que esqueceu Maria Dorothea e casou-se com a filha de um mercador de escravos em Moçambique. Seus restos estão no museu, unidos na História, mas solitários. Quebrou-se o encanto da poesia.

        Ouvir os arranjos de Tabajara Belo ao violão no Museu do Oratório e a aula-show “Nas Palavras das Canções” com José Miguel Wisnick e Arthur Nestrovski foram momentos indescritíveis. Definitivamente, não conhecemos a música brasileira de qualidade.

       Acompanhar “O Barão das Árvores – Mambembe: Música e Teatro Itinerante” pela Rua Direita,dançando e cantando, e participar do espetáculo no Largo do Cinema foi alimento para o corpo e para a alma. E o Grupo Moçambo Rico na Praça Tiradentes? Somos essencialmente musicais!

       Precisamos assumir outros papéis para continuar representando o nosso. Somos atores na arte de viver.

      Afastei-me do mundo acadêmico há muito tempo. Ao avistar o grande lago, a confusão quis se instalar. De peito estufado e  bico levantado, deslizei em suas águas com desembaraço porque sempre estivera ali. Recordei e antevi os próximos mergulhos. Estávamos em sintonia: veteranos e jovens escritores, cineastas, músicos, artistas e público, todos comungavam do mesmo pão, da mesma necessidade: a arte em todas as suas possibilidades de expressão.

      Não sei se quero contar as histórias que ouvi. Por enquanto, ficam guardadas. Preciso, silenciosamente seguir os passos do processo de criação de cada palestrante. Cada autor tem o seu modo de buscar a palavra, de expressar o seu mundo interior, de re-criar a realidade.

     Não há verdades absolutas, apenas a vontade arrebatadora de voltar para aquele lugar.  

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Primeiras impressões de Ouro Preto


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Livros me esperam espalhados pelos cômodos da casa.

Sensações explodem pelos poros ainda ávidos.

Ideias pairam nesta mente pouco organizada.

Palavras brincam e se escondem pelos porões do inconsciente.

Leio e releio as anotações feitas no Centro de Convenções da UFOP durante o Fórum das Letras 3ª edição: Escritas Híbridas. De acordo com a receita, bati os ingredientes, mas abusei na dose. Saí hipnotizada.

Não saberia descrever com precisão os momentos de prazer passados em Ouro Preto, cidade tanto tempo esperada, imaginada. Vi sua paisagem natural, a construída com o suor do povo sedento do ouro negro e explorado pela nobreza  e a reformada pelo abastado.

Admirei a arte barroca e orei em todas as igrejas visitadas. Assisti à missa distraidamente encostada no túmulo deAntônio Francisco Lisboa, o genial Aleijadinho.

Dormi ouvindo o pio da coruja e o toque dos sineiros de finados. Acordei com o som do apito da Maria-Fumaça indo e vindo de Mariana.

Chorei diante dos restos mortais, recolhidos no exílio, dos inconfidentes e, principalmente, da madeira da forca de Tiradentes, do vazio do túmulo.

Vinguei-me ao observar onde os negros escondiam ouro nas minas para construírem suas igrejas e defenderem seus interesses. Ah, Chico Rei! Negro bom e valente. Monarca na África, escravo no Brasil, comprou sua liberdade e a de seus súditos.

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Ouro Preto

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    Ouro Preto, tanto tempo esperando para finalmente mergulhar na sua história, religiosidade, arte, cultura, literatura, natureza.
    Sonhava com Vila Rica desde menina. Jovem, desisti por conta dessas visões que impedem a partida e sopram no ouvido para ficar.
    Dessa vez, a vontade superou o medo e as saudades que iria sentir.
  Ainda estou flutuando diante das imagens e experiências vividas.
    Sei que ainda vou voltar .