Blog dos Abraços

Algumas histórias que se abraçam.


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Folhas Secas

Folhas Secas

A chave estava perdida há muito tempo e ela a encontrou na caixa de costura da mãe.

O pai morrera sufocado pela fumaça após ver sonhos de grandeza destruídos pelos canalhas que o enganaram. O irmão terminara seus dias espumando pela boca apesar de ter lutado contra aquele vício maldito. A mãe encerrara a vida derrotada pela saudade. O noivo desaparecera sem deixar rastros depois de arrancar a pureza do corpo e o sossego da alma.

Ela guardava todas as dores passivamente entre o hospital onde cuidava de pacientes terminais e o apartamento. Sentava na poltrona e se envolvia com as personagens e tramas dos livros que lia até dormir com a cabeça recostada.

Foi morar naquela velha casa de uma cidade do interior quando o barulho das buzinas e sirenes de ambulância, a correria das pessoas e carros, os gritos de dor dos pacientes e o choro alheio começaram a amargurá-la. Cultivava uma horta, cuidava das flores, recolhia as frutas das velhas árvores e criava galinhas. Ia ao armazém apenas para comprar mantimentos e passava no banco para retirar a mísera aposentadoria. Vivia silenciosamente sob o olhar atento do gato. Continuar lendo

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Gavetas

                                                                                  

       

Gavetas guardam segredos

 doidos

doídos

Procuro portas

Canto é explosão

Palavra é libertação.

                                                                    


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Da dor de ser mulher

Ela

Não teve alternativa
E  assumiu todas as dores
A dor da injustiça
A dor da incompreensão
A dor da violência
A dor do preconceito
A dor da violência
A dor da discriminação


Ao lutar pela felicidade
Conheceu o sofrimento
Ao optar pelo prazer foi apedrejada
Ao escolher a liberdade foi queimada
Ao reclamar  seus direitos  foi abandonada
Benditas sejam as Marias
As rainhas loucas e santas
As de todas cores
As de todos os credos
As poetas e mártires
São luzes para o remediável.
Dor é crescimento
Quem não passou por ela
Não viveu.

Fátima Campilho


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E eu era feliz!

Não era bem isso que eu queria.

Fui sendo levada pelas circunstâncias. A minha intenção ao abrir esse blog não era ficar preparando esta salada que às vezes me incomoda. Tenho um blog pessoal no qual faço o que quero, das imagens aos textos, uma delícia, pena que falta tempo, porém não é público, somente alguns amigos têm acesso, e muito menos educativo, o verdadeiro diário, relato de experiências, impressões e reflexões pessoais.

Admiro a coragem de alguns que postam contos, crônicas e poemas na íntegra, sem autorização dos autores ou editoras, talvez seja por desconhecimento dos direitos autorais. Era exatamente isso o que eu fazia quando comecei.

E eu era feliz!

Quando quero que um aluno leia um livro, faço o quê? Conto ou leio a história com o livro escancarado para que se deslumbre com as imagens e se encante com o texto. Depois é aquela farra, ou melhor, guerra. Todos querem pegar o único livro de que disponho e levar para casa, tal qual um amigo, a intimidade é fundamental. E quando a paixão é avassaladora, nem querem devolver o livro, é natural.

Quem se interessa por resenha? O leitor? O professor? O aluno?

Todos querem mais é ouvir uma história bem contada, um poema bem declamado, umaleitura dramatizada ou talvez representada.

É claro que não posso exibir um livro todo aqui, mesmo porque não me pertence! Mas pedir autorização para trechos, um conto ou um poema de um livro de um mesmo autor, é um pouco demais!

Não se espantem, a revolta passa. Tudo porque queria mostrar a beleza de um poema de Roseana Murray sobre o pôr-do-sol.

PS: Post publicado no Blogstórias Essenciais.